11.02.2020

Novo Coronavírus: a febre do momento

Coronavírus, pertencente à família Coronaviridae, são conhecidos desde meados de 1960 por causarem infecções respiratórias em seres humanos e em animais, além de doenças entéricas. As infecções por coronavírus podem causar doenças respiratórias leves a moderadas, semelhantes a um resfriado comum, porém alguns tipos de coronavírus podem causar graves doenças com impacto importante na saúde pública, como a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), identificada em 2002 e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), identificada em 2012. A nova variante do coronavírus, batizada de 2019-nCoV, foi encontrada na cidade de Wuhan, na China, quando alguns pacientes começaram a ser diagnosticados com uma pneumonia de causa desconhecida.

Os coronavírus são microrganismos que sofrem mutação com muita facilidade. A suspeita é que a transmissão aos humanos ocorreu em um mercado de animais vivos em Wuhan, já que a maioria dos primeiros pacientes diagnosticados com a doença esteve naquele local. É provável que esse vírus tenha passado de um hospedeiro primário, suspeita-se de morcegos, a outra(s) espécie(s) animal(is) por alguma adaptação e mutação, e que posteriormente, tenha infectado seres humanos na província de Wuhan. Mas as autoridades chinesas confirmaram que o 2019-nCoV pode ser transmitido por via respiratória entre pessoas, algo de que se presumia após a detecção de um número cada vez maior de infectados que não visitaram o mercado.

Em virtude de seu potencial pandêmico, no dia 30 de janeiro deste ano, a Comissão de Emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) se reuniu em Genebra, na Suíça, e declarou o surto da nova doença como uma ‘emergência internacional’ já que existe o risco de ocorrência em outros países. A medida foi necessária para que demais países com casos confirmados da doença adotem medidas coordenadas contra a propagação do 2019-nCoV que já chegou a pelo menos 25 países distribuídos na região Ásia-Pacífico, Oriente Médio, além dos continentes Americano e Europeu.

Segundo a OMS, para ser considerado um caso suspeito o paciente dever apresentar pelo menos um sinal ou sintoma respiratório, e ter viajado para área de transmissão local, a China, nos últimos 14 dias. Os sintomas em casos com menor gravidade incluem febre e dificuldade de respirar que podem evoluir para síndrome respiratória grave e insuficiência renal. No Brasil, o Ministério da Saúde definiu três situações de casos suspeitos:
• O primeiro é quando a pessoa sente febre e pelo menos um sinal ou sintoma respiratório, como tosse ou dificuldade de respirar, e esteve na China nos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sintomas;
• Na segunda situação, a pessoa apresenta os mesmos sintomas, mas teve contato próximo de um caso suspeito nos 14 dias anteriores ao aparecimento dos sintomas;
• Na terceira situação, a pessoa também apresenta os sintomas e teve contato com um caso confirmado de coronavírus nos últimos 14 dias.

Até o momento, foram identificados 13 casos suspeitos para 2019-nCoV no Brasil, sendo, seis em São Paulo, dois em Santa Catarina, um no Rio de Janeiro e quatro no Rio Grande do Sul, entretanto outros 16 casos foram descartados, sendo que a maioria deles, seis casos, se encaixou no diagnóstico de Influenza B. Os outros foram diagnosticados como Influenza A, Rhinovírus e Adenovírus. A Secretaria de Estado de Saúde do Tocantins também está monitorando um possível um caso suspeito de infecção por 2019-nCoV de um cidadão alemão de 33 anos, vindo de Frankfurt, que teve contato com asiáticos na Alemanha e dias depois de desembarcar no Brasil teria apresentado os sintomas compatíveis com a doença.

O Centro de Operações de Emergência (COE), acionado pelo Ministério da Saúde desde o início da crise, classificou os riscos de infecção em três níveis, de acordo com as diretrizes da OMS. O primeiro é o nível de alerta, em virtude da ocorrência em outros países, mas com transmissão concentrada na China. O nível dois, perigo iminente, se inicia a partir da identificação de um caso suspeito que se enquadre na definição estabelecida pelo protocolo da OMS. A partir da confirmação de um caso da doença, o país entra no terceiro nível, e o governo declara emergência em saúde pública de importância nacional. Sendo assim, nesse momento o risco do Brasil para essa nova epidemia está no nível dois, ou seja, perigo iminente para infecção com 2019-nCoV.

Desde o primeiro caso diagnosticado na província de Wuhan, na China, centenas de pessoas vieram a óbito e mais de 24.300 já foram infectadas pelo 2019-nCoV, mas apesar da alta taxa de morbidade, que é o coeficiente entre o número de infectados em relação à população exposta, a letalidade entre as pessoas infectadas, considerada relativamente baixa, é de aproximadamente 2,19%. No entanto, os especialistas suspeitam que o número de pessoas infectadas seja muito maior, já que o vírus pode se espalhar antes que apareçam os primeiros sintomas da doença. Além disso, um novo estudo revela que a epidemia tem casos invisíveis e o novo coronavírus pode infectar até 130 mil pessoas em 10 dias.

Por fim, em virtude das características de alta infectividade, patogenicidade e virulência do 2019-nCoV, ou seja, um vírus com alta capacidade de causar infecção e doença grave ou fatal, se faz necessário, além dos esforços governamentais globais para conter o avanço de uma pandemia, que cada pessoa tenha bons hábitos higiênicos, tais como: lavar frequentemente as mãos por 20 segundos com água, sabão e álcool-gel; evitar de tocar os olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas; usar lenços descartáveis para cobrir o nariz e a boca ao espirrar; evitar o contato com pessoas doentes; limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência. As pessoas que sentirem sintomas de febre, tosse, dificuldade em respirar e falta de ar deverão evitar automedicação e procurar imediatamente uma unidade de atendimento médico.
 

Alessandro José Ferreira dos Santos
Médico Veterinário
Especializado em Sanidade Animal
Mestre em Sanidade Animal e Saúde Pública nos Trópicos